Recife 1989

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Desembarquei em Recife no dia 23 de janeiro de 1989. Chegava em terra estranha, descendo na rodoviária com toda bagagem para morar na cidade que Denise, minha irmã, adotara havia dois anos. Saira de São Paulo numa viagem entediante de dois dias. Para meu êxtase, Recife era colorida e me encantei com o sorriso de Ana. Rua Velha, 403, centro histórico de Recife, foi meu destino e ocupamos, eu, minha mãe e minha irmã, um quarto de pensão no terceiro andar. Endereço também de fundação do Santa Cruz Futebol Clube. Cheguei sem emprego e sem profissão, porque, até então, trabalhara desde os 13 anos como prático em farmácia e office boy. Recife fervia. Nunca havia sentido uma atmosfera tão vibrante e uma brisa tão agradável. Estávamos próximos do carnaval e a cidade era toda festa. Um carnaval de seis meses, porque depois viria o São João. Numa noite de bar na praça Maciel Pinheiro, conheci os amigos de minha irmã, sobretudo Goretti, publicitária, que trabalhava num projeto de jornal cultural, o Graphis Alternativ. Recebi o convite para, após do carnaval, claro, entrar para o projeto como aprendiz. Assim foi. Acompanhei o nascimento da publicação, aprendi past-up e diagramação com Vital, o diagramador e ilustrador do Graphis, e me iniciei nas artes gráficas, publicando meus primeiros desenhos profissionalmente. A imagem da hagaquê com o personagem de boné tem uma história peculiar. O personagem dizia: “Quase não deu tempo de colocar o boné.” Goretti me disse então: “Rapaz, você está em Recife! Aqui ninguém coloca. Aqui a gente BOTA. Bota aí então” Eu gargalhei e respondi: “Quem bota é galinha.” A frase, por fim, ficou “… botar o boné.” E botamos os pingos nos is. Para completar,vale notar a ilustração de 100 anos do Vassourinhas. Justamente, desembarquei no ano em que o frevo completava um século! #CCXPTour

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